O que são “IAs textuais” / Modelos de Linguagem — e por que elas importam
- Daniel Spitale

- 4 de dez. de 2025
- 7 min de leitura
As chamadas “IAs textuais”, ou “modelos de linguagem”, são sistemas de inteligência artificial treinados com grande volume de textos — livros, artigos, páginas da web — capazes de entender e gerar texto de forma autônoma, com coerência, contexto e adaptabilidade.

Esses modelos permitem que você — mesmo sem conhecimento profundo de programação — peça para a IA fazer desde uma simples redação até tarefas complexas: resumos, explicações jurídicas, esquemas de argumentos, revisão de contratos, auxílio em pesquisa, e mais. São como assistentes super-versáteis de texto.
Para quem atua em advocacia (como no seu caso) ou precisa lidar com documentos, doutrinas, legislação, análise crítica e produção de conteúdo, as IAs textuais representam um salto no modo de trabalhar: ajudam a economizar tempo, automatizar rascunhos, organizar ideias e até gerar argumentações estruturadas.
Contudo — e isso é importante — não existe “a IA perfeita para tudo”. Os diferentes modelos têm perfis distintos: alguns brilham em criatividade e fluência, outros se destacam em precisão técnica, raciocínio lógico ou processamento de dados complexos. A escolha depende do tipo de tarefa.
A seguir, descrevo os perfis dos principais modelos usados hoje, com ênfase no que faz sentido para advogados, estudiosos e produtores de conteúdo.
Principais modelos de IA textuais em 2025 — e seus diferenciais
🔹 ChatGPT
Visão geralChatGPT, da OpenAI, é talvez o modelo mais conhecido e amplamente adotado. Ele combina versatilidade, interface intuitiva e integração com várias ferramentas, o que facilita seu uso em contextos diversos.
Pontos fortes
Facilidade de uso: interface simples e intuitiva, ideal para quem está começando ou precisa de agilidade para produzir textos, resumos, e rascunhos jurídicos
Versatilidade e adaptação: bom tanto para redação criativa quanto para textos técnicos; adapta o estilo conforme o comando.
Integração de funcionalidades: adequado para automação de tarefas repetitivas, organização de ideias, criação de minutas, resumos ou esquemas de argumentação — muito útil para profissionais do direito.
Bom equilíbrio entre fluência e praticidade: ideal para quem precisa de resultados rápidos e compreensíveis, sem perder qualidade estilística.
Limitações / considerações
Em tarefas altamente técnicas ou que exigem precisão, pode haver “esquecimentos” de contexto ou simplificações excessivas. Segundo comparativos recentes, em ferramentas de “full reasoning + multimodal + dados complexos” ele pode ficar atrás de modelos mais especializados.
Para documentos longos, análises profundas ou revisões críticas de texto jurídico-técnico, pode ser necessário revisar e complementar manualmente.
Quando usar (advocacia, estudo, produção de texto)
Para rascunhos de petições, contratos, pareceres ou notas.
Para resumos de jurisprudência, legislação ou doutrina.
Para geração de ideias, estruturação de argumentos, esboço de teses.
Para textos em linguagem acessível: e-mails, comunicados, guias, posts.
🔹 Claude
Visão geralClaude, desenvolvido pela empresa Anthropic, se destaca por sua ênfase em segurança, precisão e consistência de respostas — com foco em tarefas mais analíticas, técnicas ou “ponderadas”.
Pontos fortes
Alta confiabilidade e consistência: tende a ser mais cuidadoso, especialmente em solicitações que envolvem dados técnicos, lógica ou requisições críticas.
Bom para documentos longos e complexos: indicado para análise detalhada, interpretação de textos extensos, sínteses cuidadosas, e trabalhos que exigem profundidade.
Menor “alucinação” (erros factuais / inventados) em muitos cenários, o que aumenta a confiabilidade dos resultados.
Adequado para uso profissional e trabalhos exigentes: ideal para quem precisa de precisão, por exemplo revisão de contratos, análise de cláusulas, preparação de minutas técnicas, pesquisa doutrinária ou jurisprudencial com apuro.
Limitações / considerações
Pode ser menos fluido ou menos “colaborativo” em textos criativos ou em linguagem mais leve e natural — o perfil tende a ser técnico e objetivo.
Em tarefas mais voltadas à criatividade textual, pode parecer “formal demais” para quem busca um estilo mais descontraído ou literário.
Quando usar (advocacia, estudo, produção de texto técnico)
Para elaboração ou revisão de contratos, petições, pareceres, teses, com foco em precisão e consistência.
Para análise de legislação extensa, jurisprudência, doutrina, com exigência de síntese e fidelidade.
Para documentos que exigem linguagem formal, técnica e bem estruturada.
🔹 Google Gemini
Visão geralGoogle Gemini (desenvolvido por Google AI) é um modelo mais recente, com forte ênfase em capacidade multimodal — ou seja, além de texto, consegue lidar com imagens, vídeos, áudio, dados diversos — o que amplia o leque de aplicações.
Pontos fortes
Multimodalidade: capacidade de processar entradas além do texto — imagens, vídeos ou dados diversos — e gerar saídas complexas. Isso abre possibilidade para uso híbrido em pesquisas, análises de documentos escaneados, gráficos, etc.
Raciocínio e análise de dados extensos/contexto complexo: em benchmarks recentes, o Gemini lidera em “inteligência bruta” e desempenho em problemas complexos.
Bom desempenho em tarefas com contexto longo e múltiplas variáveis: ideal para quem precisa analisar grandes volumes de informação, cruzar dados, interpretar cenários complexos.
Indicada para uso híbrido, com documentos, imagens, contextos visuais — o que pode ser útil em análise de provas, diagramas, documentos digitalizados, fluxos processuais, etc.
Limitações / considerações
Em textos mais “humanos”, criativos ou de estilo literário, pode parecer um pouco mecânico ou “menos natural” — há quem diga que a fluência de linguagem em alguns contextos é inferior a modelos voltados à conversação.
Dependendo da tarefa, pode demandar mais “ajustes” ou “prompt-engineering” para obter resultados no tom ou estilo desejado.
Quando usar (advocacia, estudo, pesquisa complexa, documentos mistos)
Para análise de documentos extensos — contratos longos, jurisprudência consolidada, textos normativos — especialmente se houver necessidade de cruzar com anexos, imagens, gráficos ou dados.
Para pesquisa com grande volume de dados, comparativos de jurisprudência, consolidado de legislações, análise de contexto densos ou múltiplas variáveis.
Para tarefas híbridas que combinam texto com anexos, provas digitalizadas, imagens ou gráficos, exigindo interpretação multimodal.
🧮 Outras IAs e modelos complementares
Além dos três acima, existem outros modelos e IAs especializadas, que podem complementar o uso conforme a necessidade. Por exemplo:
LLaMA — modelo de linguagem da Meta, mais utilizado para uso técnico ou em research; pode servir como alternativa em ambientes de desenvolvimento ou projetos de integração.
Ferramentas mais simples ou especializadas (busca com IA, chatbots focados em pesquisa factual ou citações, automações de texto) — úteis para tarefas específicas, sempre com a limitação de depender da base de dados e da finalidade do uso.
Em geral, essas soluções podem servir como “suporte leve” quando não há necessidade de toda a robustez de um grande LLM, ou quando você deseja economizar recursos.
Além das grandes IAs textuais como ChatGPT, Claude e Gemini, existe um ecossistema amplo e em rápida evolução, com modelos que também oferecem excelente desempenho. Entre eles estão o LLaMA, da Meta, usado extensivamente em pesquisas e implementações personalizadas; o Grok, da xAI, conhecido por respostas rápidas e linguagem mais direta; o DeepSeek, que ganhou notoriedade por sua eficiência e alto poder de raciocínio; e versões avançadas de modelos independentes e de código aberto, que permitem personalização profunda.
Todos esses sistemas estão em constante atualização, melhorando em velocidade, precisão, segurança e capacidade de análise. Esse movimento acelerado indica que o cenário de inteligência artificial não é estático: novas versões, melhorias e inovações surgem frequentemente, reforçando a importância de acompanhar esse ecossistema dinâmico para aproveitar todo o potencial disponível.
Qual modelo faz sentido para advocacia, pesquisa jurídica e produção de conteúdo jurídico?
Levando em conta o seu perfil — com background em direito, interesse em dívidas, veículos, produção de conteúdo — e os usos recorrentes no dia-a-dia da advocacia, algumas conclusões podem ser destacadas:
Para redação, minutas, esboços de petições, contratos e conteúdos para blog ou curso: ChatGPT se mostra bastante eficaz — agilidade, fluência textual e versatilidade são vantagens essenciais.
Para análise minuciosa de contratos, revisão de cláusulas, preparação de parecer técnico-jurídico ou síntese de legislação/jurisprudência complexa: Claude tende a oferecer mais segurança lógica e consistência.
Para pesquisas extensas, consolidação de doutrina, jurisprudência, interpretação de documentos diversos (texto + anexos, PDFs, imagens, gráficos): Gemini desponta como a opção mais poderosa por permitir processamento multimodal e lidar com contextos mais complexos.
Em muitos casos, o ideal é usar mais de um modelo de IA — combinando pontos fortes de cada um dependendo da tarefa: rascunhos com ChatGPT; revisão com Claude; pesquisa intensa e análise de documentos com Gemini.
Recomendações e boas práticas ao usar IAs em contexto jurídico
Para que o uso dessas IAs seja realmente produtivo — e responsável — vale adotar algumas práticas:
Verifique sempre os resultados: nenhuma IA é infalível. Revise petições, contratos ou documentos gerados, especialmente em questões legais, antes de usar.
Use as IAs como “auxiliares”, não como decisoras finais: o profissional deve manter a análise crítica; a IA é ferramenta, não substituta da competência profissional.
Combine modelos conforme a tarefa: adaptar a IA ao tipo de demanda (texto leve, análise técnica, pesquisa complexa, etc.) aumenta eficiência e qualidade.
Mantenha sigilo e ética — evite inserir dados sensíveis ou confidenciais nos prompts: tudo o que você digita pode ser usado para treinar os modelos (dependendo da política da plataforma).
Atualize seus conhecimentos sobre ferramentas e versões: os modelos evoluem rapidamente; novas versões podem alterar desempenho, especializações ou limitações.
Conclusão — nenhuma IA é “coringa universal”, mas combiná-las com sabedoria dá grande poder
O panorama atual de IAs textuais é muito rico e variado. ChatGPT, Claude e Google Gemini estão entre os principais protagonistas — cada um com um perfil definido: desde a fluência e versatilidade até a precisão e capacidade multimodal.
Para quem trabalha com direito, pesquisa, produção de conteúdo ou atividades intelectuais, o ideal não é escolher “a melhor IA” de forma absoluta — mas sim saber escolher a IA certa para cada finalidade. Quando combinadas com discernimento crítico, essas ferramentas podem acelerar trabalhos, aumentar produtividade, auxiliar na criatividade e permitir que você foque no que exige mais a sua expertise humana.
SE VOCÊ É ADVOGADO E PRECISA APRENDER A COMO USAR A IA DE MANEIRA PRÁTICA, RÁPIDA, EFICIENTE E COM SEGURANÇA, DIMINUINDO O TEMPO DE REDAÇÃO DE PEÇAS PROCESSUAIS EM ATÉ 7X E AINDA AUMENTANDO A QUALIDADE E COERÊNCIA, CONHEÇA NOSSOS CURSOS!
Método SPT: Advogando com IA - clique aqui!
Conheça também nosso canal no Youtube - clique aqui
Acompanhe nossa rede social no Instagram - clique aqui


Comentários